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Entrevista

Jornalista e médico neurologista. Resumir Nelson Alberto Castro (63) nessas duas profissões talvez não dê a dimensão de sua importância para a medicina e os meios de comunicação na Argentina.

A medicina e o jornalismo eram um sonho de criança que se tornou realidade. Em 1974, iniciou a faculdade de medicina na Universidade de Buenos Aires, em paralelo com os estudos em jornalismo na Escola Superior de Jornalismo do Instituto Grafotécnico.

Com especialização em jornalismo político em Harvard, começou nos anos 1980 uma carreira no rádio que perdura até hoje. Em 1986, estava nos Estados Unidos para realizar uma pós-graduação em medicina, quando foi convocado, como jornalista estrangeiro, a cobrir a coletiva de imprensa presidencial sobre o Irangate, escândalo político com o presidente Ronald Reagan.

A televisão mudou tudo

Até 1993, continuou atuando como médico neurologista, quando a televisão mudou tudo. Naquele ano, foi convidado por Mariano Grondona, renomado jornalista e acadêmico argentino, a explicar em seu programa de TV o problema de saúde do então presidente Carlos Menem.

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Editorial de Nelson Castro en El Juego Limpio

A partir desse dia, seu consultório passaria a receber não somente pacientes, mas pessoas curiosas em ouvir a opinião do médico da televisão. “Isso não é ético, pensei, e impus um fim na carreira”, afirmou Nelson em entrevista para o jornal La Nación em 1999.

Em 1994, começou a trabalhar oficialmente na televisão. Por 20 anos, conduziu o programa El Juego Limpo, no canal de notícias TN, do Grupo Clarín. Autor de vários livros, Nelson também atua como colunista nos diários La Nación, Pagina/12 e Perfil. Membro da Academia Nacional de Jornalismo da Argentina, ganhou prêmios tanto em nível nacional quanto internacional.

Nelson Castro foi um dos palestrantes no 7º Congresso Argentino de Auditores e Gestores da Saúde, em Buenos Aires. Nicole Cordoba, colaboradora da parceira ProSanitas BSC, entrevistou o médico jornalista sobre temas como a realidade da medicina na Argentina, os meios de comunicação e o papel das redes sociais.

Dr. Nelson Castro, você acredita que a segurança do paciente hoje está suficientemente protegida na Argentina dentro do sistema de saúde?

Nelson Castro: O problema que tem hoje o sistema de saúde na Argentina é a irregularidade. Há lugares que, sim, o cuidado é de primeiro nível, e há lugares que realmente são um perigo, sejam hospitais privados ou públicos. Creio que este é um verdadeiro desafio que tem a medicina na Argentina dentro do âmbito da saúde.

As pessoas que têm responsabilidade na administração da saúde, e que nem sempre são médicos, devem avaliar isso e dar uma paridade, que hoje não está presente e é a maior necessidade que temos para que todos possam ter acesso à saúde de qualidade na Argentina. Infelizmente, hoje essa desigualdade parece estar longe de ter fim. Pelo contrário, em muitos casos está aumentando.

Você acredita que o sistema de saúde está usando suficientemente mecanismos para evitar ou reduzir erros?

Nelson Castro: É irregular, por exemplo: existem Ministérios Públicos nos quais o trabalho é muito bom, mas o problema às vezes acontece em entidades privadas, porque o nível de controle sistêmico é menor e os parâmetros não são os mesmos.

Às vezes, eu tenho que atender pacientes tanto na esfera pública quanto privada e vejo essa irregularidade, essa falta de controle. Assim como conheço lugares onde o controle é excelente, na limpeza da equipe, desde os procedimentos de lavar as mãos até as roupas que utilizam.

Essa irregularidade me preocupa, porque há lugares onde a qualidade e o controle são frouxos ou muito ruins e o paciente está exposto a um risco que atualmente é inaceitável.

Como você pensa que os meios de comunicação podem contribuir com a instrução dos pacientes em seu autocuidado?

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Foto: Fede Garcia Romero

Nelson Castro: Os meios de comunicação são importantes para a comunidade médica, principalmente para a prevenção, que possui um papel chave na saúde pública, edificada com base na saúde individual.

No sistema de saúde, a prevenção é fundamental, assim como a consulta imediata. São duas questões que devem ser trabalhadas com intensidade, já que são irregulares e hoje não estão presentes.

As sociedades médicas devemos dar conhecimento através da mídia para códigos, tempos e formas, com uma comunicação eficaz da qual a sociedade necessita bastante.

Em tempos passados, acho que a medicina tinha uma visão negativa da mídia. Isso está mudando e deve mudar rapidamente, porque hoje a mídia é fundamental para avançar em questões de saúde pública e prevenção, que são essenciais para alcançar uma saúde melhor.

Os meios de comunicação se converteram em aliados do sistema de saúde na conscientização. Como você enxerga o papel das redes sociais na saúde?

Nelson Castro: Tudo depende de como as usamos. Cumprem uma função positiva, se o sistema médico é ativo nas redes, marcando presença com mensagens, seguindo a dinâmica e a intensidade exigidas pelas redes sociais.

Se forem deixadas ao livre arbítrio e não forem administradas, qualquer tipo de informação pode aparecer e, especialmente, informação que não tem possibilidade de ser checada.

Por isso, é muito importante saber como aproveitar as redes sociais na medicina. Elas são um instrumento fundamental para o que representa a prevenção e a possibilidade de uma pesquisa rápida sobre diferentes patologias.

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