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A Interact Latam completou um ano de atividades no dia 4 de abril junto com a Interact Bridges. Responsável pela internacionalização da empresa, a área tem passado por um processo de fortalecimento das estruturas. Conforme o Diretor de Administração e Negócios da Interact, Fábio Frey, o objetivo é melhor atender clientes e parceiros na América Latina.

Recentemente, a área internacional também foi habilitada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) e no Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços (Siscoserv). O intuito é fomentar as exportações do Grupo Interact. A direção formal da Interact Latam passa a ser composta pelo Diretor Fábio Frey, o Diretor de Clientes e Serviços João Alex Fritsch, o Diretor de Tecnologia Thomas Spriestersbach e Fernando Estrada, promovido a Diretor Operacional.

Sobre o novo diretor

Economista por formação, Fernando possui mestrado em Direção Estratégica, pela Universidade Politécnica da Catalunha, e em Direção e Gestão de Recursos Humanos, pela Escola de Administração de Empresas de Barcelona, ambas na Espanha.

Viveu em cinco cidades ao todo. Em Barcelona, onde se especializou e trabalhou em uma consultoria estratégica, morou durante cinco anos e meio. Também na Espanha, teve uma passagem de um ano por Madrid e meio ano em Córdoba. “Mas para mim seriam apenas três: Trujillo, Barcelona e Lajeado. Por essas, o sentimento é atemporal”, confessa.

Desde 2011, Fernando lidera o processo de internacionalização da Interact. Nessa entrevista, conta como foi o primeiro contato com a empresa, fala sobre as impressões de Lajeado, quem foi o primeiro cliente no exterior, quais são as perspectivas de futuro na área internacional e como se tornou torcedor do Grêmio.

Talvez para você essa seja uma pergunta rotineira: Como você conheceu a Interact?

Fernando Estrada: Em 2010, eu estava em Barcelona, trabalhava em uma empresa de consultoria de estratégia e software. Eu pesquisei algumas empresas de consultoria e de software na América Latina. Nesse momento, descobri pelas buscas a Interact, aqui no Brasil. Em agosto de 2010, tive o primeiro contato com a Interact e em 24 de janeiro de 2011 já estava em Lajeado, começando a trabalhar.

Já tinha vindo para o Brasil antes?

Fernando Estrada: Nunca.

Uma mudança de Barcelona para o interior do Brasil parece brusca. Nesse processo, o que você mais gostou em Lajeado?

Fernando Estrada: A tranquilidade, poder sair de casa e estar no trabalho em cinco minutos. Ter uma vida tranquila. Se perde algumas coisas (com a mudança), é normal. Você perde, por exemplo, a diversidade cultural, mas por outro lado descobre um mundo que você não conhecia. Descobre que dentro do Brasil existem muitos Brasis, como vocês falam.

Eu gostei de Lajeado porque é uma cidade pequena, tranquila e boa de viver. E, principalmente, encontrei um projeto muito interessante, o qual estava dando os seus primeiros passos, que era a internacionalização da Interact. Eu vim para começar esse projeto formalmente e foi o que acabou me conquistando.

De 2011 para cá, como você vê a evolução da Interact?

Fernando Estrada: A Interact foi cada vez aprendendo mais e cada vez mais rápido. Começamos a ter uma valorização cada vez maior das pessoas. Começamos olhar o mercado diferente. Porque, afinal, começar um projeto internacional não é só uma questão de ganhar clientes fora, mas uma questão de conhecer mercados e de te olhar no espelho. Ver como você está crescendo.

“Começar um projeto internacional não é só uma questão de ganhar clientes fora, mas uma questão de conhecer mercados e de te olhar no espelho”

Então acho que um dos ganhos principais da Interact ao começar a conhecer o mercado de fora foi começar a enxergar a si mesma, onde estava e como podia melhorar seus processos, tanto internos como externos. Como se vender melhor, como se sair melhor. Entender que as pessoas de outras culturas são importantes e como isso ajuda na própria evolução da cultura interna.

Acho que esses são um dos ganhos principais quando uma empresa se internacionaliza. Começar a receber pessoas de outras culturas e começar a aprender com essas pessoas como a empresa pode se tornar uma empresa internacional, com um pensamento global. Estando dentro da área da tecnologia isso é vital. É absolutamente necessário.

Qual foi o primeiro passo da área internacional?

Fernando Estrada: O primeiro passo foi definir as bases da internacionalização, o que se queria. Na época, foi redefinida a Visão 2010-2014 e, a partir disso, o primeiro passo da parte internacional foi a identificação do perfil e ir atrás dos primeiros parceiros. Penso que esse foi um ponto crítico.

Focamos em três países especificamente: Colômbia, Peru e Argentina. Fazer uma busca e entender que nós também podemos escolher as opções que nos ofertam o mercado. Fizemos essa pesquisa e fiquei uma semana em cada país para entrevistar os representantes desses possíveis parceiros e, a partir disso, escolher um deles.

O nosso produto merece essa capacidade de escolher, coisa que, provavelmente, se não tivéssemos dado os primeiros passos internacionais, a Interact não faria. Assim também foi uma forma de colocar a prova o nosso sistema para ver se funcionaria nessas realidades. Ou seja, para ver se também era bom lá fora.

Em 2018, Fernando foi um dos palestrantes da feira internacional da saúde Meditech, em Bogotá, na Colômbia

E quem foi o primeiro cliente internacional?

Fernando Estrada: Uma grande coincidência foi que o primeiro cliente surgiu no Peru e, mais especificamente, no Trujillo.

A sua cidade natal? Você já tinha proximidade com essa empresa?

Fernando Estrada: Nenhuma. Foi nosso parceiro de Lima que trouxe. Foi uma coincidência. Então em 2011 o primeiro cliente internacional veio da minha cidade, do meu país.

Três países iniciais. Mas hoje como está a atuação internacional da Interact?

Fernando Estrada: Hoje estamos em 10 mercados, em 10 países com parceiros. Temos ao redor de 14 parceiros, em alguns desses países temos mais de um parceiro. Todos na América Latina, por enquanto, e com prospecções na Espanha, nos Estados Unidos e em Portugal.

Qual é a importância da multiculturalidade em uma empresa como a Interact?

Fernando Estrada: Primeiro que ter pessoas de diferentes culturas em uma empresa de Lajeado, Rio Grande do Sul, faz você perceber o pequeno que você é no mundo e o grande que pode ser. Isso é fato. A multiculturalidade te traz coisas de outros mercados que somente pessoas da mesma localidade não conseguiriam enxergar. Ter esses funcionários de cinco ou seis países diferentes te traz esse know-how.

Por exemplo, antes falávamos de Barcelona e Lajeado. Você consegue enxergar coisas muito boas de Barcelona a partir daqui, mas não enxerga as coisas ruins de lá. E essas outras coisas que lá não são tão boas, aqui podem ser boas, como deslocamento, tranquilidade, segurança e qualidade de vida. Então essa multiculturalidade te traz esses benefícios, de começar a te enxergar. Primeiro, como organização, o tamanho que você tem, a dimensão do que você é em relação ao mundo e a proporção que você pode aspirar.

A multiculturalidade te traz coisas de outros mercados que somente pessoas da mesma localidade não conseguiriam enxergar. Ter esses funcionários de cinco ou seis países diferentes te traz esse know-how.

Segundo, as pessoas. As pessoas vêm com outros costumes que te ajudam a entender muitas coisas que vão além de Lajeado. Esses são os benefícios. Primeiro a nível humano e segundo a nível de empresa. Te traz outros olhares, outras formações. As pessoas são a essência de qualquer empresa. No final, a empresa é um logo e um nome. Por trás de qualquer organização sempre estão as pessoas.

Na última semana, a Interact Bridges completou o seu primeiro ano. Qual é a sua avaliação sobre a inserção da empresa em um ecossistema de inovação do qual faz parte o Tecnovates?

Fernando Estrada: Esse movimento de criar uma nova unidade com a Interact Bridges é uma amostra a mais de como a Interact se preocupa em ir atrás de novos horizontes, de novas ideias, de novos projetos. Por isso que um dos focos da Interact Bridges é a inovação nos serviços e a parte de internacionalização. Esse movimento, essa ampliação que fizemos demonstra justo isso: o alinhamento estratégico que temos tentado melhorar, inovar, aprimorar, focando alguns setores específicos e, por outro lado, também com destaque para a internacionalização.

Daqui para a frente, quais serão os desafios da área internacional?

Fernando Estrada: O que nós queremos é que a participação da Interact Latam contribua substancialmente para o crescimento contínuo do Grupo Interact. Nós devemos fazer parte da base estrutural de crescimento a nível de mercados, a nível de culturas diferentes, de produtos diferentes. Por outro lado, queremos ajudar a desenvolver as pessoas, o potencial que cada um tem. Tentar criar cada vez mais equipes multidisciplinares para que eles contribuam na geração de novas soluções e novos projetos para a Interact.

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